VENHO DE TEMPOS ANTIGOS

by - 07:03

VENHO DE TEMPOS ANTIGOS

Venho de tempos antigos
Ah, nossos passeios à beira do Sena!
Nossos castelos na Romênia!
Lembras de nossos jardins sanguíneos?

Quando nasceste camponesa russa,
Quando nasceste princesa filipina,
Quando nasceste prostituta francesa,
Quando salvei-te de um suicídio
Numa daquelas lagoas vulcânicas,
Quando me desprezaste por um lorde inglês,
Minha corcunda de então tremeu
E planejei teu assassinato nas grutas de Lascaux.

Venho dos tempos antigos, de
Nossos jardins de pétalas vermelhas!
Nossos castelos de luxuosos tapetes!
Nossos passeios à beira da aldeia!

Quando nasceste mendiga africana,
Aquele urubu bicando teu filho morto
Era minha mais torpe encarnação...
Com que dor eu devorava um fruto teu!
Foi quando me mataste a dentadas,
Tua única arma, depois reencarnaste
Como cigana presidenta vendedora
Doceira prefeita deputada e te perdi.

Venho dos tempos antigos, e
Hoje, neste teste pra TV,
Estou em um livro de vampiros
Que entreabres inocentemente...


NATAN DE ALENCAR

You May Also Like

1 comentários

  1. Na volúpia de um bom vinho; no suspiro de um agrado feminino, o açucar e a vertigem, fundem-se nas estrofes deste verso; realismo de tempos antigos, epigrama do imaginário. Valeu!

    ResponderExcluir